Delegacias em casas adaptadas: levantamento aponta falta de estrutura em unidades da PCMG
- 12 de mar.
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Levantamento do sindicato aponta que ao menos 119 delegacias operam em estruturas adaptadas, muitas delas em casas residenciais
Ao menos 119 unidades da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) em Minas funcionam em imóveis alugados ou cedidos por órgãos públicos. O dado é de um levantamento do Sindicato dos Escrivães e Oficiais Investigadores de Polícia de Minas Gerais (Sindep-MG). A pesquisa analisou a situação de 161 prédios utilizados para abrigar unidades operacionais da corporação no estado. Segundo o estudo, 40 estruturas são alugadas pelo governo estadual, 42 por prefeituras, 37 são cedidas por municípios ou outros órgãos públicos e apenas 42 pertencem ao Estado.
Para chegar aos dados, o sindicato aplicou um questionário entre policiais civis. “Fizemos um formulário e disponibilizamos na nossa rede de contatos, pedindo a participação dos colegas. Recebemos mais de 200 respostas e confirmamos a ideia empírica que já tínhamos da situação, que é muito ruim”, afirmou o presidente do Sindep-MG, Marcelo Horta.
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Segundo ele, muitas unidades funcionam em imóveis que não foram projetados para atividades policiais. “Muitas delegacias funcionam em casas residenciais adaptadas, preparadas de forma precária para receber o serviço”, afirmou.
De acordo com Horta, a falta de estrutura impacta diretamente o atendimento à população. “Quando você não planeja um prédio para receber um órgão de atendimento ao público, a estrutura precária impede que o policial preste o serviço com a qualidade que gostaria. Mesmo com esforço e boa vontade, falta o mínimo de estrutura para atender bem o cidadão”, disse.
O presidente do sindicato também citou problemas de acessibilidade em algumas unidades. “Há casos de delegacias que funcionam em casas de três andares sem acessibilidade. Já tivemos relatos de policiais que precisam descer escadas para atender idosos porque eles não conseguem chegar até as salas de atendimento”, afirmou.
Para o sindicalista, a situação exige planejamento de longo prazo por parte do Estado. “O que nós estamos pedindo é que o Estado tenha sensibilidade e olhe para a Polícia Civil com a importância que ela merece. É preciso pensar unidades planejadas para o serviço policial”, disse.
Ele também criticou a forma como algumas delegacias são criadas. “Muitas vezes o governo pinta o prédio, coloca móveis novos e inaugura uma unidade policial. Mas aquilo continua sendo uma casa adaptada, sem planejamento adequado”, afirmou.
Segundo Horta, em alguns casos as delegacias acabam funcionando de forma limitada. “Tem unidades que existem praticamente no papel. Um policial aparece uma vez por semana para abrir a porta e dar a impressão de que há atendimento permanente”, disse.
Ele também defende que a expansão das delegacias seja baseada em planejamento técnico. “Seria mais eficiente concentrar recursos em unidades regionais bem estruturadas, com prédio adequado, efetivo completo e tecnologia para atender toda uma região”, afirmou.
O que diz a PCMG
“A Polícia Civil de Minas Gerais vem avançando na instalação de novas sedes e em reformas de unidades, com entregas expressivas entre 2019 e 2025. O Governo de Minas investiu quase R$ 180 milhões, em mais de 200 unidades da Polícia Civil que foram inauguradas ou reformadas no estado. Além da troca de armamentos e da entrega de 1.500 novas viaturas para a corporação. Em janeiro deste ano, o Gover

no de Minas também anunciou investimentos de R$ 4,3 milhões para serem aplicados em melhorias na estrutura da Academia de Polícia Civil de Minas Gerais (Acadepol). Os recursos são referentes ao Acordo de Brumadinho, Fundo Nacional de Segurança Pública, do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), e repasse da Secretaria de Estado de Educação. Importante ressaltar que a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) mantém as estruturas de suas unidades em todo o estado. Os termos de cooperação firmados com determinadas Prefeituras obedecem ao previsto pela Constituição Federal.”



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