Zema tenta transformar desinformação em propaganda, mas a verdade sobre a Polícia Civil não cabe em post de rede social
- 5 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

O Sindep MG vem a público repudiar a postura do governador Romeu Zema, que tenta, mais uma vez, transformar problemas estruturais graves da segurança pública em palanque eleitoral. A cada nova matéria, o governador busca holofotes afirmando que "valoriza" os servidores, mas a realidade vivida pela Polícia Civil de Minas Gerais desmente categoricamente esse discurso.
Nos últimos dias, o governo divulgou nota exaltando supostos investimentos e melhorias nos quadros da Polícia Civil. No entanto, omite deliberadamente dados essenciais que mostram o verdadeiro cenário: Minas Gerais vive o maior processo de sucateamento da PCMG desde sua criação.
O que o governo diz – e o que realmente acontece
1. “Houve reforço no efetivo da Polícia Civil” – FALSO
O governo cita nomeações entre 2019 e 2022, mas esconde que:
Desde 2021, a Polícia Civil perdeu 1,3 mil servidores, principalmente por exoneração voluntária motivada pela desvalorização da carreira.
No mesmo período, o saldo real de novos policiais foi de apenas 82.
O déficit atual é de 35%, com 11,2 mil servidores em atividade, apesar de a necessidade mínima ser de 17 mil.
A própria chefia da corporação prevê nomear apenas 359 policiais até 2025 — número totalmente insuficiente para repor as perdas.
Ou seja: o governo contrata com uma mão e deixa sair com a outra. O resultado é perda líquida de efetivo.
2. “Houve valorização salarial” – FALSO
A nota oficial tenta vender reajustes pontuais como valorização.A verdade é que os policiais civis acumulam:
44% de perda do poder de compra entre 2015 e 2025;
11% dessa perda ocorreu exclusivamente no governo Zema.
Reajuste esporádico não é valorização — é correção inflacionária atrasada.
3. “Investimos em estrutura e equipamentos” – MEIA VERDADE
O que o governo não mostra:
Delegacias funcionando em imóveis improvisados, alugados e custeado pelo município, muitos insalubres e sem condições mínimas de segurança.
Estruturas degradadas e sem manutenção adequada.
Falta de equipamentos essenciais para investigação e atendimento à população.
Policiais comprando recursos básicos do próprio bolso.
Viaturas compradas com emenda parlamentar.
4. “Manter salário em dia é valorização” – ENGANAÇÃO
O pagamento em dia é obrigação do Estado, não um favor político.Usar isso como argumento de “valorização” revela o tamanho do desprezo com a categoria.
Enquanto isso, a violência cresce em Minas
A maquiagem de dados e discursos de rede social não escondem o que a população sente:
Minas Gerais registrou aumento de 47% na letalidade policial em 2024.
Enquanto o Brasil teve queda de 5,4% nas mortes violentas, Minas cresceu 5%.
Crimes antes controlados voltaram a subir, como sequestros, assaltos e ações de organizações criminosas.
A crise da PCMG não é apenas corporativa — ela impacta diretamente a segurança de cada cidadão mineiro.
Fuga recorde de profissionais: um retrato do abandono
O Sindep tem alertado que o clima nas unidades é de adoecimento, assédio institucional, sobrecarga e falta de perspectiva.Chegamos ao ponto de policiais pedirem exoneração sem outro emprego garantido, ou migrarem para funções completamente distintas por puro desespero.
Isso não é valorização — é abandono.
A verdade que o governo não conta
Enquanto o governador tenta se projetar nacionalmente, usando a segurança pública como palanque, a Polícia Civil de Minas Gerais enfrenta:
Déficit histórico
Desvalorização salarial
Estruturas precárias
Desmotivação generalizada
Falta de planejamento para reposição de efetivo
Crescimento da violência
Adoecimento dos servidores
Não há propaganda capaz de esconder o impacto desse descaso na vida da população.
Conclusão
O Sindep reafirma: não aceitaremos narrativa manipulada para fins eleitorais.
Segurança pública se faz com planejamento, investimentos reais, valorização profissional e respeito — não com discursos em redes sociais.
A sociedade mineira merece a verdade.E a verdade é que o governo Romeu Zema não valoriza a Polícia Civil, não combate o sucateamento da instituição e não tem apresentado soluções estruturantes para o caos que se instalou nos últimos anos.
O Sindep continuará denunciando, cobrando e defendendo com firmeza a categoria e a população mineira.



Comentários