VIATURAS SEM RÁDIO OBRIGAM POLICIAIS A PEDIREM AJUDA EM GRUPO DE WHATSAPP

Recentemente, um policial civil do DHPP foi baleado por criminosos no Bairro Cabana do Pai Tomás enquanto sua equipe realizava uma intimação e o pedido de apoio foi feito via grupos de Whatsapp, pois a viatura não possuía sistema de comunicação via rádio.


O infeliz episódio trouxe à tona a triste realidade de abandono e negligência na qual os policiais civis se encontram há anos. No cenário atual, de completo sucateamento, é comum o uso de viaturas sem sistema de rádio, sem GPS, sem kit de primeiros socorros, além de coletes vencidos, armamento obsoleto, falta de treinamento de rotina, dentre outros problemas.


A comunicação é uma ferramenta básica de trabalho e o rádio é considerado instrumento essencial para as polícias do mundo inteiro. Infelizmente, os policiais civis mineiros precisam usar seus aparelhos particulares de telefonia móvel para fazerem consultas nos sistemas de informações sobre indivíduos suspeitos e até mesmo para pedir apoio em uma ação.


Por isso, é imprescindível a instalação de sistema de comunicação via rádio em todas as viaturas, com integração de aparelho GPS que possibilite a rápida localização da viatura em situações de apoio e cobertura, bem como equipamentos para consulta aos sistemas de informação, tais como tablets, computadores, leitor biométrico, ou outros recursos tecnológicos que possam auxiliar os policiais que se encontram em atividade externa.


No mundo inteiro, as instituições de segurança utilizam modernos equipamentos de comunicação entre os seus integrantes na linha de frente. Aqui em Minas, não temos disponível sequer o sistema de rádio, que tem abrangência muito maior do que os aparelhos celulares. Com o rádio é muito mais fácil solicitar apoio em situação de crise: basta o policial apertar o comunicador e pedir socorro para toda a rede, além disso o operador do rádio pode falar com a rede inteira simultaneamente (broadcast), sem necessitar de qualquer intervenção. Já a rede de celular depende da operadora para receber o sinal, o que varia muito entre as regiões do Estado, além de possuir um custo maior.


Ouvimos relatos de policiais aposentados de que a CEPOLC, na década de 1980, se comunicava com os departamentos do interior. Os anos passaram e, ao invés de melhorar, o sistema foi extinto.


Existem trabalhos anteriores, realizados pela própria Polícia Civil, através de gestões passadas da Diretoria de Telecomunicações, visando à modernização do sistema de comunicação via rádio e à expansão para todos os departamentos do Estado, como por exemplo a implantação do sistema HD. De forma inexplicável, tais trabalhos foram engavetados.


O sindicato roga para que o novo Secretário de Segurança e o Chefe de Polícia, que defendem a modernização institucional, promovam medidas que resultem numa rápida mudança nesse trágico cenário, porque, no caso de risco pessoal iminente, a demora custará vidas. E vidas policiais importam!




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