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No mês da Mulher, nossa homenagem no quadro “Escrivã Nota 10” vai para a escritora Cláudia Cordeiro

  • há 2 horas
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No Dia Internacional da Mulher, o SINDEP apresenta uma entrevista especial com a escritora e escrivã aposentada da Polícia Civil de Minas Gerais, Cláudia Maria Nunes Cordeiro. Na conversa, ela relembra sua trajetória na instituição, os desafios enfrentados como mulher na carreira policial e a motivação para escrever o livro Entre a Dor e o Orgulho, que retrata experiências vividas ao longo de sua vida profissional. 

Cláudia Cordeiro ingressou na Polícia Civil em 1987. Filha de militar, cresceu em um ambiente onde disciplina e compromisso com o serviço público eram valores importantes. Após concluir o ensino médio, decidiu prestar concurso para a Polícia Civil incentivada por um vizinho policial.

A preparação exigiu dedicação intensa. A prova foi realizada no Mineirão, com milhares de candidatos, e a aprovação trouxe grande alegria. Depois da etapa teórica, ela ainda precisou se preparar para a prova prática de datilografia, treinando diariamente até atingir a velocidade exigida.

Após a formação na Academia de Polícia Civil (Acadepol), foi designada para Itabira, no interior de Minas Gerais. A mudança marcou o início de uma jornada que duraria mais de duas décadas na instituição.

No início da trajetória, um dos maiores desafios foi deixar a família e se adaptar à vida profissional em outra cidade. Além disso, como jovem policial, passou a lidar com uma realidade marcada por crimes, conflitos e situações humanas complexas.

Cláudia também relata que, por atuar em um ambiente predominantemente masculino, enfrentou episódios de assédio e situações difíceis. Com o tempo, afirma ter fortalecido sua postura profissional e conquistado respeito por meio da seriedade e do compromisso com o trabalho.

Ao longo da carreira, Cláudia contou com o apoio da família, especialmente da mãe, que a ajudou a conciliar a rotina profissional com a vida pessoal.

Para enfrentar o estresse da profissão, buscava momentos de leveza no convívio com amigos, nas conversas e em atividades simples do cotidiano.

Hoje, olhando para trás, ela reconhece que o apoio da família e dos amigos foi essencial para que pudesse seguir firme durante toda a sua trajetória na Polícia Civil.


A experiência que se transformou em livro

Durante sua carreira, Cláudia atuou em diversas unidades, como a Corregedoria-Geral de Polícia, o antigo Departamento de Investigações, a Delegacia Especializada de Ordem Econômica e a Divisão de Crimes Contra a Vida.

Muitas das experiências vividas ao longo desses anos foram registradas em anotações pessoais. Após a aposentadoria, motivada também pelo desejo de deixar um registro de sua história para a família, começou a organizar esses relatos.

Assim nasceu o livro Entre a Dor e o Orgulho. Segundo a autora, a escrita começou como uma forma de lidar com emoções e memórias difíceis e acabou se transformando em um testemunho sobre a realidade da carreira policial e sobre a mulher que existia por trás da função.

O trabalho nos bastidores da investigação

Cláudia destaca que o trabalho da organização da burocracia policial é fundamental para o funcionamento da investigação criminal. Entre as atividades estão a formalização de depoimentos, a organização de inquéritos, o controle de prazos e o registro de provas e documentos.

Segundo ela, o cartório policial funciona como o centro administrativo da investigação, onde os fatos passam a ser registrados de forma oficial e estruturada. Cada documento produzido pode ter impacto direto no andamento do processo judicial.

Entre as experiências mais marcantes da carreira, Cláudia relembra o período em que trabalhou na Divisão de Crimes Contra a Vida, especialmente durante as investigações relacionadas ao caso que ficou conhecido como “Maníaco de Contagem”.

Segundo ela, situações dessa natureza afetam profundamente os profissionais envolvidos, pois é impossível separar completamente o lado humano do trabalho policial. Na época, a preocupação também era pessoal, já que sua filha estudava à noite.

Para Cláudia, a solução de casos complexos traz uma sensação coletiva de alívio e dever cumprido para toda a equipe envolvida. 

Ao falar sobre o futuro da Polícia Civil, Cláudia afirma esperar que a instituição continue evoluindo e fortalecendo sua capacidade de prestar um serviço de qualidade à sociedade.

Ela também defende maior reconhecimento para a carreira ligada à organização da burocracia policial, ressaltando que a função é fundamental para garantir a formalização e a consistência jurídica das investigações.

Durante a entrevista, Cláudia também destacou a importância da atuação sindical na defesa dos profissionais da categoria Policial Civil. Ela recorda que, no início da carreira, enfrentou um problema profissional que foi resolvido graças à atuação de um representante da categoria, o que reforçou sua percepção sobre a relevância da organização coletiva.

Para ela, a Polícia Civil funciona como uma engrenagem em que cada função possui papel essencial na investigação. Delegados, peritos, investigadores e a organização da burocracia policial exercem atividades diferentes, mas complementares para o bom funcionamento da instituição.



Para as mulheres que desejam ingressar na carreira policial, Cláudia deixa uma mensagem de incentivo: é preciso coragem, preparo e autoconfiança para enfrentar os desafios da profissão.

Segundo ela, a presença feminina contribui para tornar as instituições mais humanas, sensíveis e conectadas com as complexidades da sociedade. “Preparem-se, estudem e acreditem no seu potencial. Não permitam que digam que determinado espaço não lhes pertence”, finaliza. 

Neste 8 de março,  celebramos a trajetória de uma mulher que representa talento, sensibilidade e dedicação. Cláudia Cordeiro se destaca não apenas pelo  trabalho exercido na categoria Policial Civil, mas também por sua contribuição para a literatura, levando histórias, reflexões e experiências ao público por meio da escrita.

Sua atuação demonstra que a força e a capacidade das mulheres estão presentes em todos os espaços, na segurança pública, na cultura e na construção de uma sociedade mais consciente.

O SINDEP parabeniza Cláudia Cordeiro e, por meio dela, presta homenagem a todas as mulheres que fazem a diferença todos os dias com coragem, competência e compromisso.


 
 
 

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