
Policial civil transforma vivências em arte e lança obra teatral em Belo Horizonte
- há 13 horas
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Cláudio Maia Paixão, o Dinho, compartilha trajetória entre a segurança pública e a dramaturgia no
lançamento de “48 Cenas Curtas de Teatro – Vol. II”
O Escrivão de Polícia Cláudio Maia Paixão, conhecido como Dinho, servidor da Polícia Civil de
Minas Gerais há 17 anos e atualmente lotado na Academia de Polícia Civil, viveu recentemente
um dos momentos mais marcantes de sua trajetória pessoal e profissional: o lançamento do livro
“48 Cenas Curtas de Teatro , Vol. II”, obra coletiva que reúne textos de 11 dramaturgos.
Em entrevista, Dinho destacou a emoção de participar do projeto e ver sua produção literária
ganhar forma e alcançar o público. “Sem sombra de dúvidas, foi um dos momentos mais
importantes da minha vida. Nunca imaginei lançar um livro, ainda mais em Belo Horizonte e ao
lado de outros dramaturgos. É a concretização de um processo que venho construindo há muitos
anos”, afirmou.
A receptividade do público também surpreendeu. Segundo ele, os ingressos para o lançamento se
esgotaram um dia antes do evento, evidenciando o interesse pela obra. A noite contou com
apresentações teatrais, exibição de curta-metragem dirigido pelo próprio autor, “ A Escura
Pousada da Madame Lourdes”, e encenações de trechos do livro, proporcionando uma
experiência imersiva ao público.
A obra reúne 48 cenas selecionadas a partir de um processo criativo intenso dentro do projeto
Dramaturgia Forçada. Dinho assina quatro textos: A Escura Pousada da Madame Lourdes, A
Muralha das Lamentações, O Que Resta e O Último Livro de Mayara. As narrativas transitam por
diferentes gêneros e abordam temas como terror, comédia, solidão, desejo e despedida.
A inspiração para a escrita, segundo ele, vem principalmente das relações humanas e das
experiências acumuladas ao longo da vida , especialmente na atividade policial. “O policial
convive diariamente com o lado mais cru da condição humana: dor, perda, conflito,
arrependimento. Isso gera uma carga emocional muito forte, que acaba encontrando caminho na
ficção”, explicou.
Para Dinho, a conexão entre a carreira policial e a dramaturgia é direta. A observação constante
de pessoas, histórias e comportamentos, típica da rotina policial, contribui significativamente para
a construção de personagens e narrativas. “Dramaturgia é entender pessoas, seus conflitos
internos e externos. E isso faz parte do nosso dia a dia”, ressaltou.
Conciliar as duas áreas exige disciplina, mas também revela o papel da arte como ferramenta de
equilíbrio emocional. “A arte não entra como obrigação, mas como necessidade. É uma forma de
lidar com a rotina intensa da segurança pública”, disse.
Com formação em Cinema e Audiovisual e experiência como ator, Dinho sempre manteve o
vínculo com a arte, mesmo durante sua carreira na polícia. Para ele, representar a categoria
Policial Civil em um espaço cultural é motivo de orgulho. “É simbólico mostrar essa dualidade. A
gente carrega grandes responsabilidades na delegacia, mas também tem outras dimensões
enquanto ser humano”, afirmou.
Ao final da entrevista, o autor deixou uma mensagem aos colegas de profissão: “Não abandonem
seus talentos. Nós não somos apenas a nossa função. Cultivar outras habilidades também é
cuidar da saúde mental”.
Dinho já planeja novos projetos, incluindo a adaptação de textos para curtas-metragens e
montagens teatrais. E reforça o convite ao público: “É um livro que reúne diferentes olhares sobre
o ser humano. Em algum momento, o leitor vai se reconhecer em alguma dessas histórias.”


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