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Suicídio entre policiais cresce 40% e reforça alerta do SINDEP-MG: falta de valorização e déficit de efetivo adoecem a Polícia Civil

  • 23 de jul.
  • 2 min de leitura


Os dados divulgados pelo 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública acendem um alerta que não pode mais ser ignorado. O levantamento aponta um aumento de 40% nos casos de suicídio entre policiais militares e civis em relação ao ano anterior, evidenciando o agravamento da crise de saúde mental entre os profissionais responsáveis pela segurança da população.

Para o SINDEP-MG, os números confirmam uma realidade denunciada há anos: o adoecimento dos policiais civis é consequência direta da falta de valorização profissional, do déficit de efetivo, das condições

precárias de trabalho e da ausência de investimentos estruturais na Polícia Civil de Minas Gerais.

Hoje, a Polícia Civil mineira possui cerca de 11.289 servidores, enquanto a própria Lei Orgânica da instituição estabelece a necessidade de um efetivo de aproximadamente 17 mil policiais. Isso significa um déficit de mais de 5.700 profissionais, o equivalente a cerca de 35% do efetivo considerado necessário para atender adequadamente a população mineira.

Na prática, esse déficit faz com que delegacias funcionem com equipes reduzidas, policiais acumulem funções, trabalhem sob jornadas intensas e convivam diariamente com sobrecarga, pressão por resultados e exposição permanente à violência. O resultado é um ambiente de trabalho cada vez mais desgastante, que impacta diretamente a saúde física e mental dos servidores.

Além da falta de pessoal, o SINDEP-MG também denuncia a defasagem salarial, a precariedade da infraestrutura das unidades policiais, a escassez de equipamentos, a insuficiência de investimentos em tecnologia e a ausência de políticas permanentes de prevenção ao adoecimento mental.

O sindicato vem alertando o Governo de Minas que não há como fortalecer a segurança pública sem fortalecer quem está na linha de frente da investigação criminal.

"Quando falta efetivo, sobra sobrecarga. Quando falta valorização, cresce o adoecimento. O aumento dos casos de suicídio demonstra que a saúde mental dos policiais precisa deixar de ser tratada apenas como um problema individual. Ela é consequência das condições de trabalho oferecidas pelo Estado", destaca a direção do SINDEP-MG.

Entre 2021 e 2025, mesmo com a entrada de 1.430 novos policiais, a instituição perdeu 1.348 servidores no mesmo período, resultando em um crescimento líquido de apenas 82 profissionais. Esse cenário demonstra que os concursos realizados não têm sido suficientes para recompor as aposentadorias, exonerações e demais desligamentos, mantendo praticamente inalterado o déficit histórico da Polícia Civil.

Diante desse cenário, o SINDEP-MG defende medidas estruturantes, entre elas:

  • recomposição urgente do efetivo da Polícia Civil;

  • valorização remuneratória e reconhecimento profissional;

  • melhoria da infraestrutura das unidades policiais;

  • investimentos em tecnologia e equipamentos;

  • fortalecimento de programas permanentes de saúde mental;

  • atendimento psicológico contínuo e políticas efetivas de prevenção ao suicídio.

Para o sindicato, investir na saúde mental dos policiais começa pela valorização da carreira. Sem condições dignas de trabalho, efetivo suficiente e reconhecimento profissional, o adoecimento tende a se agravar, comprometendo não apenas a vida dos servidores, mas também a qualidade da segurança pública oferecida à população mineira.

Os dados do 20º Anuário reforçam que o momento exige ações concretas. O SINDEP-MG continuará cobrando do Governo do Estado políticas que enfrentem as causas do adoecimento dos policiais civis, porque cuidar de quem protege a sociedade também é uma responsabilidade do Estado.

 
 
 

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