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Alexandre Barroso e Oliveira: uma trajetória de 26 anos dedicada à Polícia Civil de Minas Gerais

  • 9 de jul.
  • 5 min de leitura

Prestes a se aposentar relembra sua trajetória, destaca a importância da integração entre as carreiras policiais, defende a criação do Oficial Investigador de Polícia e deixa uma mensagem de união e humanidade para as novas gerações.


Há histórias que ajudam a contar a evolução da Polícia Civil de Minas Gerais. A de Alexandre Barroso e Oliveira é uma delas. Após 26 anos de dedicação à instituição, o servidor se prepara para encerrar sua trajetória profissional levando consigo o reconhecimento dos colegas, homenagens do Poder Legislativo e a certeza de ter contribuído para fortalecer a Polícia Civil e servir à sociedade.

Graduado em Administração, em 2000, e posteriormente em Direito, em 2015, Alexandre afirma que jamais imaginou seguir carreira policial. A aprovação no concurso para a Polícia Civil, em 1998, surgiu de forma inesperada e, segundo ele, representou um verdadeiro propósito de vida.

O curso de formação foi realizado ainda em 1998, mas a posse ocorreu apenas em 2000, em razão dos trâmites administrativos da época. Logo nos primeiros anos, enfrentou uma rotina intensa. Foi designado para a Delegacia de Polícia de Frei Inocêncio, atendendo também, de forma cumulativa, a Delegacia de Matias Lobato e participando das escalas de plantão na sede da então 5ª Delegacia Regional de Polícia Civil, em Governador Valadares.

A sobrecarga de trabalho marcou o início de sua carreira e se estendeu por vários anos. Em 2006, passou a atuar como plantonista noturno em Governador Valadares, função que desempenhou até 2013. Na sequência, foi convidado para integrar o Núcleo Correcional do 8º Departamento de Polícia Civil e, dois anos depois, passou a atuar na Delegacia de Homicídios.

Em 2017, aceitou um dos maiores desafios de sua carreira ao assumir a Chefia de Cartório da 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Governador Valadares. Naquele momento, a unidade vivia a implantação da Unidade Regional de Custódia (URC), processo do qual participou ativamente, propondo melhorias, apresentando sugestões e buscando melhores condições de trabalho para toda a categoria policial civil.

Paralelamente às atividades desempenhadas na Polícia Civil, Alexandre também atua, desde 2015, como Examinador de Trânsito, função conquistada por meio de concurso específico e exercida em diversos municípios da região de Governador Valadares e Guanhães.

Ao longo da carreira, seu trabalho ultrapassou as atribuições cartorárias. Reconhecido pela capacidade de diálogo e pelo conhecimento técnico, tornou-se referência para colegas de diferentes carreiras da instituição. Mesmo após deixar a chefia de cartório em abril de 2026, continua sendo procurado diariamente por policiais que buscam orientações e esclarecimentos sobre procedimentos administrativos e policiais.

Esse comprometimento também foi reconhecido fora da instituição. Recentemente, Alexandre recebeu homenagem da Câmara Municipal de Engenheiro Caldas e, pela segunda vez em sua carreira, foi homenageado pela Câmara Municipal de Governador Valadares, honrarias que considera a materialização do reconhecimento por mais de duas décadas de dedicação ao serviço público.

Entre as inúmeras ocorrências que marcaram sua trajetória, Alexandre destaca a investigação do homicídio da ministra da eucaristia Elza, assassinada por traficantes que acreditavam, equivocadamente, que ela denunciava a atuação criminosa do grupo. Segundo ele, a elucidação do caso foi construída por meio de um trabalho minucioso desenvolvido dentro do cartório, com diversas oitivas estratégicas realizadas em conjunto com investigadores da equipe, permitindo que a Polícia Civil desse uma resposta rápida e efetiva à sociedade.

Mas nem todas as lembranças estão ligadas a grandes investigações. Uma das experiências mais marcantes ocorreu durante um plantão noturno, quando um homem parou sua bicicleta em frente à delegacia apenas para agradecer. Anos antes, havia sido conduzido embriagado e recebido de Alexandre atenção, escuta e palavras de orientação. Segundo o cidadão, aquele atendimento mudou sua vida, ajudando-o a abandonar o alcoolismo e reconstruir sua família. Para o servidor, momentos como esse demonstram que o trabalho policial também transforma vidas por meio da empatia e do respeito às pessoas.

Ao analisar o momento vivido pela Polícia Civil de Minas Gerais, Alexandre acredita que a instituição passa por um importante processo de transformação. Para ele, a integração entre as carreiras é um caminho sem volta e a criação do cargo de Oficial Investigador de Polícia representa uma evolução necessária para modernizar a estrutura da Polícia Civil, fortalecer o trabalho policial e proporcionar maior eficiência à prestação do serviço público.

Ele também destaca o papel desempenhado pelo SINDEP na representação da categoria, lembrando o apoio prestado aos servidores durante visita do presidente Marcelo Horta ao 8º Departamento de Polícia Civil. Na avaliação de Alexandre, a atuação sindical continuará sendo fundamental para acompanhar as mudanças institucionais e defender os interesses dos policiais civis.

Apesar da satisfação pela carreira construída, Alexandre entende que ainda existem desafios importantes que precisam ser enfrentados. Entre eles, destaca a necessidade de investimentos na estrutura física das unidades policiais, a redução do déficit de pessoal e, principalmente, a ampliação das políticas voltadas à saúde mental dos policiais civis.

Para ele, episódios de assédio moral registrados na instituição e casos que marcaram profundamente a categoria, como a morte da policial civil Rafaela Drumond, demonstram que cuidar da saúde emocional dos servidores deve ser prioridade permanente. Segundo Alexandre, proteger aqueles que diariamente dedicam suas vidas à segurança da população é um compromisso que precisa envolver toda a instituição.

Outro desafio pessoal também passou a fazer parte de sua história. Recentemente, Alexandre descobriu um tumor no cerebelo e aguarda a realização de uma cirurgia de alta complexidade. Mesmo diante desse momento delicado, afirma ter encontrado força no apoio recebido da família, dos amigos e, principalmente, dos colegas de todas as carreiras da Polícia Civil, que demonstraram solidariedade e carinho durante esse período.

Às vésperas da aposentadoria, Alexandre afirma que seu maior desejo é presenciar a consolidação da unificação das carreiras e ver a Polícia Civil cada vez mais fortalecida e valorizada.

Como legado para os colegas que permanecem na instituição, deixa um conselho simples, mas construído pela experiência de mais de duas décadas de serviço público:

"Nunca percam a humanidade e o respeito no trato com o cidadão. A união entre os policiais civis e a empatia com aqueles que procuram a instituição, muitas vezes nos momentos mais difíceis de suas vidas, são a verdadeira essência da nossa profissão. É isso que faz a diferença e fortalece a Polícia Civil."

Neste momento em que enfrenta um delicado desafio de saúde, o SINDEP também manifesta sua solidariedade, desejando muita força, fé e uma plena recuperação. Temos a certeza de que sua determinação e a corrente de apoio formada por familiares, amigos e colegas serão fundamentais para superar mais esta batalha. 

O SINDEP parabeniza Alexandre Barroso e Oliveira, escolhido como Escrivão Nota 10, reconhecimento mais do que merecido por seus 26 anos de relevantes serviços prestados à Polícia Civil de Minas Gerais. Sua história inspira colegas e demonstra que o verdadeiro trabalho policial é feito com profissionalismo, respeito e compromisso com a sociedade. 


 
 
 

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